quinta-feira, 24 de Dezembro de 2009

Um excelente investimento 2


Na sequência do anterior post sobre este assunto, vale a pena ver este filme:
  
Community Trees: A Living Investment (6 minute)

quinta-feira, 9 de Julho de 2009

The garden: documentário a incluir no próximo Cine Conchas?



O Cine Conchas é fantástico! Adoro tudo: os filmes, a ideia, o local, mesmo ver as imagens com algumas cabeças pela frente e aquela brisazita que às vezes se levanta e obriga a aconchegar o pulover nas costas. Parabéns Ana Barata (CSM) e Tiago (Viver), e estou em pulgas pelos "Vizinhos"...

Descobri este documentário sobre uma horta comunitária em Los Angeles que depois de alguns anos de total sucesso ameaça(va) ser destruída por alguns interesses instituicionais/comerciais.

O filme ganhou prémios nos EUA e parece que embora bom ainda não é muito conhecido por cá; e estando nós na Alta a criar também as nossas hortas comunitárias (boas notícias para breve) era giro associar estas duas coisas e ter cá este documentário no Cine Conchas para o ano. Que dizem?

Podem ver o trailer aqui .Vale a pena!

terça-feira, 19 de Maio de 2009

SEMINÁRIO “ÁRVORES MONUMENTAIS – IMPORTÂNCIA E CONSERVAÇÃO” SABUGAL - 25 e 26 de Junho de 2009


No próximos dias 25 e 26 de Junho, no Sabugal, realizar-se-á um encontro extraordinário sobre "Árvores monumentais: importância e conservação".

Organizado pela Associação Árvores de Portugal e a Câmara Municipal do Sabugal, terá comunicações portuguesas, espanholas e inglesas no dia 25 e um passeio aos castanheiros seculares do Sabugal no dia 26.

Para inscrições clicar aqui.

sexta-feira, 1 de Maio de 2009

A caminho da horta....


Caros amigos, com o extraordinário apoio e envolvimento do K'Cidade, o processo da criação das hortas comunitárias aqui na Alta está imparável.

Já tivemos excelentes reuniões com a SGAL, UPAL e GEBALIS, a que se seguirão outras com as Juntas de Freguesia do Lumiar e Ameixoeira, e com todas as entidades o apoio demonstrado tem sido inexcedível.

Estamos assim confiantes que em breve teremos o(s) espaço(s) adequados para a concretização deste projecto de sustentabilidade urbana de gestão e criação de espaços verdes pelos nossos moradores, que se iniciará exactamente por esta dimensão das hortas comunitárias.

Por isso é chegada a altura de reunirmos as pessoas que possam estar interessadas neste processo, nomeadamente que queiram ter um talhão na horta e/ou apoiar as outras situações complementares que se imaginam, como criar uma pequena loja de produtos hortícolas, apoiar a organização de viagens de estudo, guiar visitas de escolas, fotografar o processo, etc...

Temos assim marcada uma reunião aberta a toda a comunidade da Alta, no próximo dia 7 de Maio, quinta-feira, às 19h30, no Centro de Inovação Comunitária do Programa K'CIDADE, na R. Luís Piçarra, N.º 12.

Apareçam, quem sempre quis ser agricultor, é chegada "a Hor(t)a!"

sábado, 18 de Abril de 2009

Um excelente investimento!

E + AQ + CO2 + H + A
--------------------------------------- = 5
P + T + R + D + I + S + C + L + AD

Esta é a fórmula que, de acordo com os investigadores do Instituto Superior de Agronomia, relaciona os benefícios (em numerador) com os custos (no denominador), ambos anuais, das árvores em meio urbano e cujo resultado para a cidade de Lisboa é igual a 5!
Ou seja altamente compensador em termos de investimento; é mais ou menos como pôr 1000 euros numa conta e no fim do ano ter lá 5000. Vale a pena.
Vejamos em detalhe os termos da equação; para os benefícios temos:
E - quantidade da energia poupada em aquecimento e arrefecimento
AQ - melhoria da qualidade do ar
CO2 - redução do dióxido de carbono
H - redução do escoamento da água superficial
A - aumento do valor imobiliário devido á presença das árvores
e para os custos:
P - árvore e plantação
T - poda
R - remoção e limpeza de ramos e árvores
D - controlo de pragas e doenças
I - rega
S - reparações de prejuízos em infra-estruturas
C - remoção de lixo e folhas
L - indemnizações devidas a reclamações relacionadas com as árvores
AD - programas de administração, inspecções e outros custos
Este importante trabalho disponível aqui, demonstrou ainda para as 4 espécies arbóreas mais representativas na nossa cidade, os seguintes valores médios de benefícios anuais, em Euros por indivíduo:
Lódão - 205,1 €
Plátano - 298, 5 €
Tília - 151,0 €
Jacarandá - 146,0 €
Só imagino que os valores do custo/benefício para a Alta sejam ainda maiores, dados que os custos devem estar a nível do quase zero - salvo uma ou outra operação de poda, nada mais vejo fazer nas nossas árvores de arruamento, nem sequer a rega funciona...

segunda-feira, 30 de Março de 2009

Pereira-de-jardim (Pyrus calleryana)


Esta recém-chegada à lista de espécies comumente utilizada em arruamentos, é originária da região asiática, encontrando-se em estado selvagem na China, Coreia e Japão.


É uma árvore de tamanho médio (9-12 m de altura e 3-4 m de diâmetro), com a copa em forma cónica quando nova e que vai abrindo com o passar dos anos.


Caducifólia, as folhas novas nascem em Fevereiro/Março, verde lustrosas e assim mantêm até Outubro/Dezembro, assumindo no Inverno belas cores laranja, púrpura e vermelho.


As flores nascem antes ou em simultâneo com as folhas, em conjuntos (corimbos) de flores brancas, que dão a esta espécie um dos seus principais interesses ornamentais: uma floração lindíssima e abundante.


Os frutos são mínimas peras, duras até que o frio as abra um pouco e permita que as aves se alimentem delas no Outono, propagando a árvore pela posterior disseminação das sementes; estas são tão bem sucedidas que em certas regiões dos EUA esta espécie é considerada invasora.


Adapta-se também muito bem a meio urbano nas nossas latitudes, resistindo bem a doenças e vivendo em situações secas, quentes e de pleno sol.


É assim uma interessante árvore de arruamento ou para utilização em espaços exteriores residenciais, adaptada ao nosso clima; há apenas que estar atento a esta eventual situação de colonizadora de outros habitats.

sábado, 7 de Março de 2009

Olaia (Cercis siliquastrum)...outra floração


As olaias pertencem à Família das Leguminosas, assim chamadas pelo fruto que é sempre uma vagem (como a ervilha).


As flores também são muito características, com 5 pétalas, 3 juntas formando uma quilha central e as outras duas como asas laterais.


Uma das situações interessantes desta Família é a sua capacidade de associação a bactérias fixadoras de azoto atmosférico, constituindo nódulos na zona radicular; esta capacidade dá-lhes uma grande vantagem competitiva sobre outras plantas, permitindo-lhes assim serem pioneiras e colonizarem regiões de solos pobres.

domingo, 1 de Março de 2009

E outra floração (Pyrus calleryana)


Esta outra Rosácea também não demorou muito a começar a florir, embora esteja a começar agora esse processo enquanto que a Prunus pissardii está no seu auge.

A flor retratada é da Pereira-de-jardim (Pyrus calleryana), árvore de folha caduca, originária da China, de belíssima floração primaveril (quando estiver no seu esplendor eu mostrarei), muito interessante para meios urbanos e ainda pouco utilizada no nosso País.

terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009

"Guerrilla gardening"



Vale sempre a pena trazer um canivete no bolso...todos os pequenos gestos ajudam! Este exemplo de péssima gestão das árvores urbanas é ilustrativa da falta de atenção dada muitas vezes às mesmas. Estes tutores não podem existir!

Nestas situações todos devemos ser guerrilheiros urbanos; alistem-se em guerrillagardening.org

terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009

A primeira floração deste ano (Ameixoeira-dos-jardins)


Bem-vinda Primavera, é altura da nossa sakura!

quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

Modelo e inspiração



Majora Carter: Greening the ghetto
Porque as ideias não surgem do nada deixo aqui uma fonte de inspiração para o trabalho que poderemos fazer no desenvolvimento dos espaços verdes, de recreio, lazer e produtivos na Alta.

Espero encontrar a Majora Carter aqui; darei notícias.

domingo, 1 de Fevereiro de 2009

Aves da minha rua


Porque tudo se relaciona, fiz um blog irmão, que se chama "Aves da minha rua", e que é muito no género deste "Arvores da minha rua": partilha algumas observações sobre o mundo "natural" que mesmo na cidade, felizmente está presente.
Caso reconheçam esta silhueta, parabéns. Caso queiram saber mais alguma coisa sobre esta espécie podem ir lá ao novo blogue. Aos que ainda não tenham a certeza do que é, espreitem lá também, talvez seja uma surpresa.

sábado, 31 de Janeiro de 2009

Hortas na Alta?




Estamos a iniciar um processo muito interessante, em conjunto com a K'Cidade, para promovermos hortos comunitários na Alta e tentar também assegurar a gestão dos nossos espaços verdes.

Em breve contamos dar notícias mais concretas, mas para já se alguém do "bairro" estiver potencialmente interessado neste processo, pode enviar um mail para cancela.jorge@gmail.com para agendarmos um encontro conjunto.


segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

Um Homem que muito ensinou a gostar e tratar de árvores...em especial o sobreiro



Joaquim Vieira Natividade.

Nascido em 1899, faleceu em 1968, sempre em Novembro, como agora.

Com 68 anos completos terá sido o maior conhecedor e divulgador do interesse silvícola e económico dessa "nossa" árvore de eleição, o sobreiro.

A sua publicação "Subericultura" de 1950, continua a ser "o" tratado sobre o tema.

Recentemente traduzido para espanhol, entusiasmou um Autor hermano - Ignacio Garcia Pereda - a escrever uma profunda e merecida biografia de Vieira Natividade, disponibilizando-a gratuitamente aqui. São de louvar essas duas atitudes e a biografia é altamente recomendável. Quem tem gosto pelas questões da ecologia aplicada, aconselha-se em particular o capítulo "A silvicultura biológica", páginas 111 a 116.

No site, não percam também o documentário "Três Pessoas e um Sobreiro". Esses três Homens - João Lopes Fernandes, Sardinha de Oliveira e Vieira Natividade - há muito mereciam ser assim divulgados. Estão de parabéns os Autores deste notável trabalho, a Fundação João Lopes Fernandes.

segunda-feira, 10 de Novembro de 2008

Passeios com árvores


Fica a informação e a recomendação. Bons passeios!

sexta-feira, 13 de Junho de 2008

Nova Monografia do Lumiar

foto: jaime.silva@flickr
Excelente trabalho.

Para o conhecimento da Freguesia e em particular do seu valor histórico-patrimonial é um documento fundamental.

Recomendo em particular o capítulo "V - AS QUINTAS" onde se pode avaliar da importância destas unidades multi-valenciadas na composição urbana da nossa zona.

A proposito transcrevo um texto de uma entrevista ao Prof. Arquitecto-paisagista Gonçalo Ribeiro-Telles, de 2000:

Há um outro estudo, muito importante, “A Essência do Jardim Português”, um doutoramento da Prof. Aurora Carapinha. Este trabalho vem levantar o problema que é a essência do jardim português, do que é a quinta, e vem levantar, ainda que não directamente, outro problema. É que as cidades portuguesas são um caso único em que existem subúrbios que não apenas um alastramento caótico do tecido urbano.

Existem ainda fortes reminiscências do tecido rural ?

Não é do tecido rural, é do tecido suburbano. Aurora Carapinha refere que as cidades portuguesas, tanto no Porto, como em Lisboa, como em Évora – quanto mais vamos para sul mais esse fenómeno é vincado – têm um anel envolvente de quintas de recreio que não podem existir sem a cidade, nem a cidade sem as quintas. O anel envolvente de Lisboa, aquilo a que se chamava o Termo de Lisboa e que actualmente é o seu subúrbio, era uma sucessão de quintas que aliavam ao recreio o uso lúdico e gozo de amenidade de lugares e percursos. O mesmo não sucedia no resto da Europa, cá mantinha-se simultaneamente a produção de frescos e fruta em hortas e pomares.

Voltando à Monografia; são seu Autores os Professores Doutora Rosa Ferreira e Mestre Fernando Lemos, a edição é da Junta de Freguesia do Lumiar, de 2008, capa dura, 422 páginas e um preço que já não existe: 5 (cinco) euros.

Altamente recomendável.

domingo, 4 de Maio de 2008

Problemas e eventual solução...




As coisas também não andam fáceis para as árvores das nossas ruas.

Tutores incorrectos, desnecessários e perigosos, árvores a precisar de intervenção correctiva, substituição de exemplares mortos, limpeza de caldeiras e rega instalada mas que nunca funcionou, são apenas alguns dos muitos erros e problemas que a arborização urbana na Alta de Lisboa ainda encerra e que é necessário corrigir se queremos que as condições de gestão sejam as adequadas para se conseguirem árvores saudáveis.

Pelo que eu tenho observado, têm sido muito poucas (ou nenhumas na maioria dos exemplares) as intervenções de manutenção do arvoredo urbano aqui por estas bandas.

A CML deverá ter este assunto na sua devida atenção, já que os cidadãos têm e devem exigir o direito constitucional a um bom ambiente.

Contudo também poderão ter a oportunidade de tomar o assunto directamente em mãos, como refere nomeadamente o Artigo 46º do Decreto-Lei nº 177/2001:

Decreto-Lei nº 177/2001 Regime jurídico da urbanização e da edificação
( Decreto-Lei 555/99, de 16 de Dezembro com a redacção do Decreto-Lei n.º 177/2001, de 4 de Junho )

Artigo 46.º
Gestão das infra-estruturas e dos espaços verdes e de utilização colectiva

1 - A gestão das infra-estruturas e dos espaços verdes e de utilização colectiva pode ser confiada a moradores ou a grupos de moradores das zonas loteadas e urbanizadas, mediante a celebração com o município de acordos de cooperação ou de contratos de concessão do domínio municipal.

2 - Os acordos de cooperação podem incidir, nomeadamente, sobre os seguintes aspectos:
a) Limpeza e higiene;
b) Conservação de espaços verdes existentes;
c) Manutenção dos equipamentos de recreio e lazer;
d) Vigilância da área, por forma a evitar a sua degradação.

Portanto, se a CML não tiver capacidade directa para assegurar a adequada manutenção dos espaços verdes públicos de zonas loteadas e urbanizadas, podem os moradores das mesmas propor e celebrar com a Autarquia acordos de cooperação para essas tarefas.

Criar-se-ão assim ocupações de residentes, eventualmente remuneradas, e de certeza que um trabalho de maior eficácia e carinho que o actualmente ocorre.

Fica a ideia, se calhar qualquer dia pode avançar a hipótese da mesma se concretizar.

domingo, 13 de Abril de 2008

Uma nova geração de heróis


Neste novo slide-show de Al Gore apresentado em Fevereiro no TED, renova-se a dimensão estratégica e necessária do combate às alterações climáticas.


Embora - parecendo-me a mim - mais feito para consumo interno em época eleitoral americana, há mensagens universais: a missão geracional, a importância da democracia para atingir objectivos de intervenção, nomeadamente legais e vinculativos e a responsabilidade / oportunidade que todos temos para agir.


E é como sempre esperamos de Al Gore uma apresentação informada e inspiradora. A ver aqui.


terça-feira, 25 de Março de 2008

Alergias



Só uma breve nota.

O início da Primavera e a chegada dos pólens, infelizmente para algumas pessoas, é um potencial problema dadas as suas alergias.

Neste excelente site da Rede Portuguesa de Alergologia pode-se encontrar informação muito útil, quer para quem gosta de árvores e quer saber o estado de floração das mesmas, quer para quem precisa dessa informação para gerir as alergias aos pólens.

Esperemos que seja muito consultado mas apenas pelos primeiros.

Boa Primavera, sem alergias.






domingo, 23 de Março de 2008

Julius Sterling Morton - outro que gostava de árvores




O Dia Mundial da Árvore, também conhecido como Dia Mundial da Floresta, comemora-se todos os anos a 21 de Março, dia do início da Primavera.

Tal acontecimento tem a sua génese em 1872, data em que pela primeira vez um norte-americano do Estado do Nebraska, decidiu formalmente dedicar um dia às árvores.

Esse homem chamava-se Julius Sterling Morton.

Nascido em 1832 no Estado de Nova Iorque, estudou na Universidade de Michigan e aos 22 anos mudou-se para o Nebraska, onde foi jornalista e agricultor, sendo nomeado Secretário do Território de 1858 a 1861. Reconhecido como introdutor de novos métodos agrícolas e florestais, foi mais tarde nomeado Secretário da Agricultura do governo do Presidente Grover Cleveland (1893-1896). Morreu em 1902 no Estado do Illinois.

Morton sentiu que a economia e a paisagem do Nebraska beneficiariam muito com a plantação de árvores em larga escala. Fazendo das palavras actos, começou na sua quinta a plantar sebes, pomares e árvores de ensombramento, mostrando aos seus vizinhos os benefícios de tais intervenções.

Quando foi nomeado membro da direcção de agricultura daquele Estado, decidiu aproveitar a oportunidade e propõs um dia especial ("Arbor Day") para chamar a atenção para a importância das árvores, tendo mesmo criado um prémio para a pessoa que mais as plantásse.

Este dia - 10 de Abril de 1872 - foi um sucesso no Nebraska, tendo sido plantadas mais de 1 000 000 de árvores.

Um segundo Arbor Day ocorreu em 1884 e a partir daí tornou-se um dia feriado anual no Nebraska, dedicado à plantação de árvores; em 1885 a data passou para o dia 22 de Abril para coincidir com o aniversário de Julius Morton.

Nos anos seguintes a ideia espalhou-se a outros estados como o Kansas, Tennesse, Minnesota e Ohio, sendo actualmente celebrado em todos os estados dos EUA.

Inspirado neste movimento decidiu a FAO, organismo das Nações Unidas, que a partir de 1972 se dedicásse o dia 21 de Março ao Dia Mundial da Floresta.

Por curiosidade, embora esta seja a data de comemoração mundial, a tradição dos "Arbor Day" ou "dia da árvore" é mantido e comemorada em quase todos os países do mundo mas que contudo a celebram nos seus calendários mais adequados ao objectivo do sucesso das plantações.

De referir ainda que se celebra, também por este motivo de melhor adequação fenológica, a 23 de Novembro o "Dia da Floresta Autóctone" e que em Portugal foram realizadas de 1907 a 1917 várias "Festa da Árvore", acontecimento de forte cariz cívico e que se poderia renovar.








sábado, 1 de Dezembro de 2007

Carvalho-americano (Quercus rubra)




Ainda há por aqui mais umas espécies para falarmos...

Uma delas é a Quercus rubra, conhecida entre nós por "carvalho-americano", por ser proveniente daquele continente, mais concretamente do leste da América do Norte; também lhe chamam "carvalho-vermelho" pela cor que as follhas adquirem no Outono, antes de cairem.

É uma conhecida árvore de arruamento e maciço, grande, que pode atingir uma altura de 20/30 m; o crescimento é rápido e são medianamente longevas.

A madeira é branda mas muito valorizada nos EUA.

O que mais o caracteriza são as folhas, grandes (podem atingir 20 cm de comprimento) e muito recortadas. São verde lustrosas na Primavera/Verão e depois caracteristicamente amareladas e vermelhas.

Dá-se bem em todos os solos, exceptos os de teor elevado de calcário e gosta de exposições ensolaradas.

Está num separador de via, com espaço ao nível aéreo para crescer bem.



terça-feira, 27 de Novembro de 2007

"Eco-towns", aquecimento global e arborização urbana



É uma das grandes apostas do actual planeamento urbano inglês: as "eco-towns".

Partindo da constatação do sentido ascendente das temperaturas médias anuais e das implicações globalmente negativas deste facto na qualidade de vida urbana e nos consumos energéticos ligados á refrigeração, o Governo Inglês lançou um programa de criação de novos aglomerados e reabilitação dos existentes, que visa atingir objectivos de "carbono zero" para os mesmos.

Várias são as soluções para tal, mas as ligadas á estrutura verde urbana e à arborização de espaços exteriores são das mais defendidas para se atingirem aquelas metas.

Os cálculos apontam que são necessários cerca de mais 10% de área verde nas cidades densas para que os níveis de temperaturas médias se mantenham semelhantes aos actuais até 2080. Por outro lado uma redução de 10% da área verde actual aumentará essas temperaturas em cerca de 8ºC.

Quem quiser ler o relatório pode clicar aqui.

O desafio é claro e está lançado: todas as oportunidades para manter, melhorar e aumentar a área arborizada das cidades são para aproveitar. É fundamental a sombra e a evapotranspiração no Verão, a permeabilidade dos solos e a biodiversidade urbana. Estes são objectivos fáceis de atingir com o aumento da presença das árvores nas nossas cidades.

sexta-feira, 6 de Julho de 2007

Algumas perguntas


Esta semana choveu à séria no Centro do Reino Unido, em particular na região do Yorkshire. As inundações foram o que a foto documenta.

Estes fenómenos só confirmam a variabilidade climática em que estamos. Urge agir, suponho que não para alterar essa realidade (já não vamos muito a tempo), mas sim para nos adaptarmos da melhor forma à mesma.

Neste contexto, importa salientar que - segundo a população local ouvida pelos meios de comunicação social - o que muito contribuiu para as inundações foi o entupimento das redes de drenagem pluvial urbana. As mesmas eram habitualmente limpas todos os anos, mas de há 2 anos para esta data esse trabalho deixou de ser efectuado.

Outros especialistas apontam também o facto do aumento da pavimentação dos jardins particulares, que contribuiu para colocar na rede caudais que dantes eram directamente infiltrados no solo.

Os prejuízos são enormes, o tempo de os reparar não será curto.

Poderemos nós aprender alguma coisa com isso?

Como estarão a funcionar esses nossos sistemas de drenagem pluvial?

E as capacidades dos meios receptores? Têm em consideração o aumento da área impermeabilizada?

Não vale a pena pensar neste assunto?

Não vale a pena plantar o máximo de árvores urbanas para assim aumentar a infiltração, e garantir o uso impermeável do solo?

E como lidar com as folhas outonais? Não será útil recolhê-las e "fabricar" composto que possa de novo ser utilizado nas novas plantações de espaços verdes?

Não devemos pensar de forma sistémica?

sábado, 31 de Março de 2007

Roteiro das árvores classificadas de Lisboa


Parabéns! A CML tem desde 25 de Março, disponível aqui um "roteiro" cartográfico das árvores classificadas de interesse público, existentes na cidade.

(Existem também roteiros digitais e percursos pedestres sobre o tema. O primeiro será já a 14 de Abril: "Da Praça de Alegria a S. Bento". Inscrevam-se...deve ser giro.)

Estas árvores estão classificadas dada a existência - desde o memorável dia de 15 de Fevereiro de 1938 - d0 Decreto-Lei 28468, que reconheceu legalmente a importância da árvore notável, isolada ou em maciço, bosquete ou alameda!

Vale a pena ver quais são as que já constam desta distinção no site da Direcção-Geral dos Recursos Florestais, que através da sua Divisão de Protecção e Conservação Florestal tem feito meritório trabalho nesta área.

A propósito saiba-se que qualquer um de nós pode recomendar árvores que pelo seu valor de porte, estrutura, idade, raridade, motivos históricos ou culturais, possam ser também classificadas, por exemplo aqui (Portal do Cidadão) ou aqui (DGRF). O melhor blogue sobre árvores em Portugal tem isso feito de forma exemplar para a zona do Porto!

As árvores classificadas têm um estatuto semelhante ao do património construído classificado, ficam com uma área de protecção de 50 m de raio a contar do tronco e qualquer intervenção nas mesmas tem de ser autorizada e acompanhada pela DGRF.

Já agora, e porque nem sempre somos os mais pequeninos do Velho Continente, veja aqui (e faça o download do ficheiro) para saber onde está a árvore mais alta da Europa....

quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007

A importância das árvores urbanas


Só para relembrar alguns aspectos importantes das árvores nas cidades, sem prioridades:

1. melhoram o micro-clima, aumentam o conforto urbano e diminuem os consumos energéticos:

a) reduzem o vento

b) aumentam o ensombramento no Verão

c) diminuem o efeito da "ilha de calor"

d) aumentam a humidade atmosférica no Verão

e) reduzem o albedo

2. reduzem a poluição atmosférica absorvendo vários poluentes em suspensão

3. fixam CO2 e libertam O2

4. criam micro-habitats para a fauna, em especial aves e insectos

5. favorecem a infiltração das águas pluviais, podendo diminuir os caudais de cheia

6. enquadram e valorizam esteticamente as estruturas edificadas

7. dão variações de cor, forma e textura á cidade

8. aumentam a nossa sensação de bem-estar

9. aumentam o valor financeiro dos imóveis próximos

10. ligam-nos à "Natureza"...

domingo, 11 de Fevereiro de 2007

Libertemos as árvores


Os tutores (postes de madeira normalmente utilizados ao lado das árvores para as segurar quando são pequenas) tendem a ser um problema maior do que a solução para a qual foram concebidos.

Servem, principalmente, para as árvores poderem suportar ventos fortes sem tombarem, enquanto as suas raízes não cumprem o papel de fixarem devidamente a planta ao solo (o que acontece quando elas são recentemente plantadas).

Podem servir também - nas situações urbanas mal concebidas ou de pouco espaço - como proteção da árvore aos ataques directos tipo parachoques das viaturas.

O problema é que os tutores, como tudo na vida, têm formas correctas e incorrectas de serem utilizados; vamos às correctas:

a) devem estar bem seguros no fundo da cova para realmente suportarem a árvore e não cairem sobre ela, provocando-lhe feridas, ou para outros lados, entortando-a;

b) devem estar afastados do tronco para não lhe provocarem feridas;

c) devem estar atados à árvores com fitas largas, plásticas ou orgânicas (ex: serrapilheira) para não magoarem o tronco e permitir o crescimento do mesmo;

d) essa fixação deve fazer um 8 (loop) entre o tutor e a árvore para evitar o contacto entre eles;

e) devem ser retirados assim que já não sejam necessários (ou seja, se a cova ou caldeira da árvore tiver as dimensões e características adequadas, num período maximo de 2 anos após plantação);

f) devem ser de tamanho reduzido e suportar a árvore no terço médio/inferior do tronco.

Vejam aqui um exemplo, em Barcelona:













Ora o que acontece na grande maioria dos casos nas árvores das nossas cidades é tudo ao contrário: tutores enormes, mal enterrados, atados ás árvores por estreitos fios plásticos, fios elétricos e fita adesiva, junto ao tronco, provocando-lhes extensas lesões de contacto e permancendo junto à árvore durante anos sem conta.

Este factos devem ser urgentemente corrigidos por forma a evitar danos graves e permanentes ás árvores!

Aos tutores (se mal empregues) pode assim aplicar-se o aforismo do costume: "com amigos destes, quem é que precisa de inimigos".

Para mais informação sobre esta assunto podem consultar:

The Myth of Staking
To Stake or not to Stake
Tree Staking
Staking Tree

Se tiverem situações destas solicitem a sua correcção escrevendo a quem tem a responsabilidade da manutenção dos espaços verdes na v. cidade. Muitas vezes os jardineiros não fazem isto por mal, mas apenas porque acham que na cidade é indispensável tutorar as árvores e por muitos anos...

quinta-feira, 8 de Fevereiro de 2007

Bibliografia básica


Para mim estes livros são fundamentais na biblioteca de um amador de árvores em Portugal:

  • Cabral, Francisco Caldeira e Telles, Gonçalo Ribeiro, 1999 - A ÁRVORE EM PORTUGAL. Assírio e Alvim. Lisboa
É a "bíblia" para quem quer conhecer as árvores autóctones e tradicionais mais utilizadas em Portugal, realçando o seu enquadramento ecológico; fundamental ainda para perceber o que caracteriza uma árvore, e para saber "o que pretendemos" da árvore e como podemos atingir esses objectivos da forma mais adequada para a planta; indispensável.

  • Humphries, C.J. et alli, 1996 para a edição portuguesa - GUIA FAPAS, ÁRVORES DE PORTUGAL E EUROPA. Fapas e Câmara Municipal do Porto. Porto
É um guia de identificação, com edição original em inglês, mas muito bem traduzida e adaptada para português por um competente grupo de técnicos. Bons desenhos, textos claros, nomes correctos, fazem deste livro um dos tais indispensáveis para conhecer (e reconhecer) a maioria das árvores das nossas ruas e paisagens.

  • Parret, Jean, 2001 para a edição portuguesa - A ÁRVORE. Colecção "o nome da árvore". Temas e debates. Lisboa
É um pequeno livro, que se lê muito bem e que descreve as características essenciais e diferenciadoras das árvores, com particular clareza para o funcionamento e estrutura das mesmas.

  • Câmara Municipal de Lisboa, 2005 - GUIA ILUSTRADO DE VINTE E CINCO ÁRVORES DE LISBOA. Câmara Municipal de Lisboa. Lisboa

Com um design muito agradável e interessante ilustrações, este livro (quase uma brochura) mostra as características, locais onde se podem encontrar na cidade de Lisboa e algumas curiosidades sobre 25 espécies arbóreas marcantes nas ruas, jardins e parques da Capital.

  • Araújo, Paulo Ventura et alli, 2006, 2ª edição - À SOMBRA DE ÁRVORES COM HISTÓRIA. Gradiva. Lisboa
Um livro especial. Feito para as árvores que marcam a paisagem do Porto, deseja-se que possa vir a debruçar-se também sobre outras cidades do País. Descreve as espécies de uma forma muito interessante, mas concentra-se na história das mesmas, fazendo-nos reflectir que todas as actividades humanas têm um contexto temporal, espacial e ideológico, e que as árvores podem ser uma excelente forma de o analisar.

quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2007

Ninhos



No Inverno as árvores de folha caduca revelam a sua estrutura lenhosa.

Nesta, é por exemplo interessante reparar:

  • a partir de que altura de tronco se iniciam os ramos principais,
  • qual a sua" arquitectura", as suas formas, dimensões,
  • subdivisões, locais e ângulos de inserção,
  • localização de gomos...

... um sem número de coisas que se estivermos atentos e interessados nos proporcionam uma observação diferente da árvore e que ajudam a ter dela uma imagem mais completa.

Contudo, é também nesta altura que melhor se observa um dos interesses das árvores urbanas: a de servir de habitat a espécies animais, neste caso, de local de nidificação de aves.

Além disso, o encontrar um ninho faz-nos regressar às doces sensações de infância; e mesmo sabendo que ele agora está vazio, imaginamos a Primavera que se aproxima e o prazer de novo "ir ver dos ninhos".

Não sei de que são, mas imagino que possam ser de pardal-comum (Passer domesticus); esta espécie está mais habituada a fazer ninho noutros locais que não lhes dêem tanto trabalho, mas também não desdenham uma arvorezita para fazer um lar.

Aparecem aqui na zona, do que eu já vi, em várias espécies de árvores: mélias, freixos, ginkos, bordos...portanto, aparentemente sem discriminação.


Enfim, nesta próxima Primavera já teremos mais outra coisa para nos entretermos!

Um homem que gosta de árvores...(e com boas ideias)


Vejam o Peter Gabriel neste Ted Talk a dizer que gosta de árvores (tal como nós)...
... só que não é só isso que ele diz; e essas outras coisas também valem a pena !

domingo, 28 de Janeiro de 2007

Ameixoeira-dos-jardins (Prunus cerasifera pissardii)


Quando em 1880 o sr. Pissard, na altura jardineiro-chefe do Xá da Pérsia, enviou de lá para o botânico Carrière, em França, o 1º exemplar registado desta fantástica árvore de folhas escuras e exuberante floração branca, estava certamente muito longe de imaginar o sucesso que a mesma iria ter nas cidades e jardins da Europa e EUA.

Tanta emoção deve ter causado no seu amigo, que logo em 1881 este a descrevia e denominava como nova espécie a que atribuía o reconhecido nome de Prunus pissardii; não importa entrar pelos complicados meandros da taxonomia vegetal, mas agora esta árvore é conhecida por Prunus cerasifera subsp. pissardii, substituindo a antiga denominação de Prunus cerasifera var. atropurpurea pela qual por vezes ainda aparece referida.

A ameixoeira-dos-jardins (por curiosidade também por vezes também chamada de abrunheiro-dos-jardins) é uma planta da grande família das Rosáceas - que se caracteriza pelas flores terem 4/5 pétalas e 4/5 sépalas como a rozeira-brava - que Pissard criou a partir da variedade cultivada da ameixoeira (Prunus cerasifera).

É uma árvore de folha caduca, de copa arredondada, de tamanho pequeno/médio, podendo atingir os 8 metros de altura; é de crescimento rápido e pode viver até aos 80 anos.

Suporta bem a difícil vida urbana, em particular a poluição, doenças e secas, oferecendo-nos uma extraordinária floração branca-rosada (entre finais de Janeiro e Março) e uma distintiva cor de folhas vermelho-acastanhada (que aparecem depois da floração).

Os frutos são umas pequenas ameixas (tecnicamente são drupas) escuras, amargas, mas boas para fazer doces e compotas.

As cá da rua - com um perímetro à altura do peito de 14/16 cm, cerca de 5 m de altura e devendo custar nos viveiros, cada uma, cerca de 60 Euros - foram plantadas há muito pouco tempo, mas já se preparam nos encher de alegria com a floração que se anuncia:


Será concerteza uma bela surpresa para os moradores que ainda não saibam o que têm à porta...

segunda-feira, 22 de Janeiro de 2007

Instalaram a rega


As árvores são seres vivos, que para viverem nas condições adversas do meio urbano necessitam de algumas ajudas.

Uma delas é a rega, que permite levar a água às raízes das plantas nas alturas em que a evapotranspiração das mesmas excede a disponibilidade de água existente no solo. Evita-se assim que as plantas entrem no denominado "stress hídrico".

Existem vários métodos de rega e o que foi aqui utilizado foi o denominado de "gota-a-gota" superficial (existe também a gota-a-gota enterrada). Na caldeira da árvore, sobre a terra, é colocado um anel de tubo para rega gota-a-gota com cerca de 1 m de comprimento, onde estão os gotejadores de onde pinga a água para o solo.

Esta água, dado o débito mais ou menos constante do gotejador, vai encharcando o solo até à zona onde se situam as denominadas raízes "pastadeiras", finas e mais superficiais.

Estas fazem a absorção da água e dos nutrientes na planta, que a utiliza nomeadamente para os fazer circular e assimilar, bem como promover o processo da evapotranspiração por forma a controlar a sua temperatura interna.

Este método gota-a-gota tem a virtualidade de poupar água face aos métodos manuais tradicionais ou à aspersão que não se aplica com tanta facilidade nas árvores em caldeira. Por outro lado, exige menos mão-de-obra e é menos susceptível ao vandalismo.

Por todas estas razões é um método comum para a rega das árvores em caldeira. Só falta agora que continue a chuver nos tempos normais (até Abril) para não obrigar a gastar nas árvores "água dos tubos" cara, em vez da que pode cair do ceú, gratuita.

sábado, 13 de Janeiro de 2007

Cipreste-comum (Cupressus sempervirens)


Árvore emblemática na paisagem mediterrânica, quer rural quer urbana, talvez seja por essa omnipresença, que a este cipreste lhe chamem "comum" (que de resto é mesmo excepcional)!

A sua copa colunar que pode atingir os 30 m de altura, distingue-o entre todas as outras espécies arbóreas.

Esta copa em forma de "vela" levou-o a ser plantado nos cemitérios para em permanência "velar pelos que já partiram". Mas também o tornou símbolo de ligação entre a Terra e o Ceú, tornando-se árvore plena de espiritualidade, plantada nos claustros, pátios e hortas dos mosteiros medievais.

O nome científico é Cupressus sempervirens, o que quer dizer o "cipriota sempre-verde", ou seja:

1. proveniente do Mediterrânico Oriental (onde se situa Chipre) e Ásia Menor; a sua importância nas paisagens gregas e romanas é assinalável, existindo até semelhanças entre a área ocupada pelo Império Romano e a actual distribuição do cipreste-comum (é por isso que de há tantos séculos utilizado em Portugal, já a consideramos "tradicional" na nossa paisagem).

2. sempre-verde, alude por sua vez a dois aspectos: árvore de folha perene, mas também longeva - há exemplares com 1000 anos e chegar aos 500/600 é "comum" neste cipreste! O seu crescimento é rápido nos primeiros anos, mas depois torna-se lento com o passar do tempo.

Espécie monóica, com as flores masculinas em cones amarelos nas pontas das folhas e as femininas agrupadas, destas surge o fruto - umas sementes aladas, tão leves que são precisas 150.00 para fazer um kg; estas sementinhas mantêm-se encerradas aos 8 a 20, numas glábulas compostas por 10-14 escamas e que primeiro são verdes tornando-se cinzentas quando amadurecem.

As folhas são em forma de escama, situação característica a outros ciprestes.

A espécie adapta-se bem a qualquer tipo de solos (menos os húmidos), mas prefere locais ensolarados aos sombrios; resiste bem aos ventos e às altas temperaturas.

A sua madeira - aromática, resistente e durável - é muito apreciada em marcenaria, tendo sido usada pelos egípcios para fazer sarcófagos, pelos gregos para fazer móveis e pelos carpinteiros medievais para as arcas da época.

Dele também se extrai um óleo essencial com propriedades benfazejas aos sistemas circulatórios, digestivos e respiratórios.

Aqui perto de casa só há dois exemplares, isolados e afastados entre si, mas felizmente bem adaptados e já com cerca de 4/5 m de altura, preparados para crescer nos próximos 500 anos!

quarta-feira, 3 de Janeiro de 2007

Palmeira-de-leque (Washingtonia filifera)


Eis-nos chegados à palmeira cá do bairro: a palmeira-de-leque (Washingtonia filifera). É originária dos oásis dos desertos da Califórnia, e dela os índios que aí habitavam faziam uso intenso dos frutos (que comiam) e folhas (das quais faziam abrigos, alimentavam o gado, fabricavam sandálias).

O seu nome latino é por um lado uma homenagem ao 1º Presidente dos EUA (George Washington) e por outro uma referência aos grandes filamentos que as folhas exibem e que caracterizam esta espécie.

As folhas são perenes, muito grandes - de 1 a 2 m de comprimento; o pecíolo é de quase iguais dimensões e tem dentes bicudos. As folhas que secam ficam penduradas no topo das árvores, na base das folhas mais jovens e formando uma "juba" amarelo-acinzentada, pendente, que na cidade serve de abrigo a pombos e outras aves. Tirando estas folhas as palmeiras ficam com ar mais elegante.

Tem inflorêscencias hermafroditas que aparecem na Primavera e que produzem uns frutos de cor escura que caem no Inverno e germinam facilmente, permitindo assim a propagação da espécie.

As palmeiras-de-leque são de crescimento rápido, podem atingir os 15/20 m e durar entre 100 e 200 anos; resistem bem á seca e não têm grandes problemas fitossanitários. São muito utilizadas nas regiões de clima mediterrânico, europeias e americanas, quer como árvores de alinhamento quer em exemplares isolados.

Aqui ao pé de casa, existe um pequeno alinhamento de 4 palmeiras num canteiro e outra,dupla, numa rotunda; são todas relativamente jovens e estão bem adaptadas.



Existe uma outra palmeira do género Washingtonia, a W. robusta; também se chama palmeira-de-leque, mas esta é "do México", enquanto que a W. filifera é "da Califórnia". Distingue-se por não ter a mesma profusão de filamentos nas folhas; cresce mais lentamente, tem maior altura e menor diâmetro de tronco, sendo assim a W. robusta a mais alta e magra das duas...

terça-feira, 26 de Dezembro de 2006

Um excelente site



Este site é excelente: Arborium - Atlas de Árvores de Leiria.

Descobri-o por acaso, enquanto fazia as minhas confirmações sobre as árvores aqui da Alta. E o Arborium , além de muito fácil de navegar, tem muita informação sobre - e isto é impressionante - todas as espécies de árvores que existem na cidade de Leiria; e são muitas...

Por rua, por espécie, por área da cidade, a procura é fantástica e as informações perfeitas; os textos introdutórios, as várias fotografias de cada espécie, os roteiros e um bom glossário botânico ilustrado, completam o quadro: um dos melhores sites, e em português, sobre árvores na cidade!

Muitos parábens!

Cipreste-da-Califórnia (Cupressus macrocarpa)


Já os vemos há tanto tempo pelas nossas paragens que se calhar já achamos que são nacionais; mas não, este cipreste (também lhe chamam cedro) é um Cipreste da Califórnia (Cupressus macrocarpa) e é originário exactamente dessa zona, mais particularmente da área litoral de Monterey.

Árvore perene, caracteriza-se pelos ramos fazerem um ângulo de inserção no tronco de cerca de 45º; as folhas têm forma de escamas, de 2 a 5 mm de comprimento, e quando se esfregam, exalam um agradável cheiro a limão.

É uma espécies monóica; os frutos femininos são uns cones globosos-oblongos de 2 a 4 cm de comprimento; os cones masculinos são pequenos, de 3 a 5 mm nas extremidades das folhas.

Adapta-se bem aos nossos climas temperados atlânticos e mediterrânicos. Tem um crescimento rápido e pode chegar aos 25/30 m de altura e a um diâmetro de 8 m. Na sua zona de origem são conhecidos exemplares com 200 e 300 anos de idade.

Árvore ornamental muito utilizada em Portugal, como espécie de enquadramento ou árvore urbana em parques e jardins.

As que foram, agora mesmo, plantadas aqui na zona são árvores pequenas, com 1,5 m de altura e um pap de 8/10 cm; estão já a ser regadas (por aspersão) e de certeza que se irão adaptar bem ao sítio - têm condições para isso. No futuro é que podem vir a ser árvores de escala um pouco superior ao espaço de que dispõem nos canteiros onde foram plantadas.

sábado, 23 de Dezembro de 2006

Casuarina (Casuarina equisetifolia)


Esta árvore parece um pinheiro! Mas não é... É uma casuarina (Casuarina equisetifolia), oriunda dos mares do Pacífico Sul.

Adapta-se muito bem a solos leves, bem drenados e com poucos nutrientes - como são os das zonas das areias do litoral (e alguns utilizados nas intervenções urbanas), dado que nas suas raízes vivem bactérias (do género Frankia neste caso) que têm a capacidade de fixar azoto no solo retirado do ar.

O ar é composto por 78 % de azoto, mas as plantas não têm capacidade de o usar daí directamente, tendo de o absorver pelas raízes; como o azoto é indispensável para o crescimento das plantas, vê-se a importância da associação com bactérias fixadoras daquele elemento. Esta associação (ou simbiose) acontece também noutras plantas, como por exemplo nas Leguminosas (de que já vimos a Olaia) com bactérias do género Rhizobium.

Outra das características interessante desta árvore reside nas suas folhas - as agulhas não são de facto folhas, mas apenas os pés das mesmas; as folhas propriamente ditas são minímas (ver seta) e estão dispostas á volta desses pés; estes são muitos e seguidos, em cada agulha.As folhas masculinas e femininas estão na mesma árvore (espécie monóica) e os frutos fazem lembrar umas pequenas pinhas (só que têm cerca de 1 cm); delas saem muitas sementes aladas, que podem ser levadas pelo ar ou pela água para colonizar com sucesso outras áreas.

É uma árvore de "folha" perene. De crescimento de média velocidade, pode atingir os 25/30 m de altura, e os 5/6 m de copa; tolera bem a seca e vento, mas dá-se mal com geadas e zonas mal drenadas.

As da zona estão plantadas no meio dum separador com uma largura de 1 m; são já de bom perímetro à altura do tronco e de de 4/5 m de altura; estão bem adaptadas. O separador - longo, só com esta espécie disposta de 10 m em 10 m - é que está um pouco monótono.

terça-feira, 19 de Dezembro de 2006

Ginko (Ginkgo biloba)


Atenção agora, esta é uma árvore muito especial! Diz-se que já existia no tempo dos Dinossáurios - há mais de 65 milhões de anos - enquanto que o Homem só cá anda há 2/3 milhões...

O Ginko (Ginkgo biloba) é assim um autêntico "fóssil vivo", a espécie mais "velha" do reino vegetal, e justo símbolo de longevidade. Há referências a exemplares na China - local onde a espécie ainda sobrevive em estado selvagem, embora apenas numa única zona a sul de Xangai e com risco de extinção - com cerca de 2500 anos.

As suas folhas em forma de leque, com dois lóbulos, são inconfundíveis nas árvores de todo o mundo; caducas, ficam de um amarelo-dourado lindo no Outono antes de cairem.

É uma árvore dióica, com exemplares machos e fêmeas. Estas produzem uns frutos em forma de ameixas douradas que quando caem no chão libertam um cheiro fétido característico (é por isto que nos passeios só se devem plantar os exemplares machos).

A copa é alongada, irregular, podendo atingir os 25/30 m de altura e os 5/8 m de diâmetro.

Além do mais, o facto de resistir muito bem a doenças, insectos e poluição, tornam-na uma excelente árvore urbana.

As da rua aqui atrás ainda estão muito pequenas, com 4/5 m de altura e perimetro à altura do peito de 10/12 cm. Como vimos, ainda vamos ter aqui ginkos por mais um bom par de anos!

domingo, 17 de Dezembro de 2006

Melia (Melia azedarach)


Aqui ao lado há uma ávore que parece que se enfeitou para o Natal; é a melia (Melia azedarach), que nesta altura do ano apresenta uns lindos frutos redondos e amarelos.

Originária do sudoeste asiático, a melia é de folha caduca e pode atingir os 8/9 m de altura e os 5/6 m de diâmetro da copa.

O porte, as folhas recortadas, a líndissima floração lilás e os frutos amarelos, fazem dela uma árvore muito usada como ornamental em todo o mundo, embora não suporte as geadas e se adapte bem à seca. É também uma árvore de crescimento rápido.

As melias daqui são já árvores muito bem desenvolvidas, com bom tronco de c. 18/20 cm de perímetro à altura do peito, pelo que já devem estar aqui plantadas à 4/5 anos; adaptaram-se bem e estão óptimas; tiveram agora uma pequena intervenção de poda de copa.

sábado, 16 de Dezembro de 2006

Olaia (Cercis siliquastrum)


Esta olaia (Cercis siliquastrum) também é chamada "árvore-de-judas" (diz-se que o famoso Apóstolo se teria enforcado numa) ou "árvore-do-amor" (pelas folhas em forma de coração e as flores que lembram lágrimas, cor de rosa).

Proveniente da Palestina, é uma espécie há muito estabelecida no nosso País - daqui que já tenha o estatuto de "tradicional" na nossa paisagem vegetal - em particular no Sul dada a sua boa resistência à seca.

A floração em Março é exuberante e lindíssima, de cor rosa-avermelhada que aparece antes das folhas; estas são caducas, arredondadas; o fruto é uma vagem (é uma árvore da família das Leguminosas), pendente, que se mantém durante muito tempo (agora em Dezembro ainda é fácil vê-las).

É uma árvore relativamente pequena, com uma copa irregular, de 5/6 m de altura e 4/5 m de diâmetro; tem uma boa escala para ruas com prédios baixos, passeios largos e pátios. É muito interessante usada nas "escadinhas" dos bairros mais antigos de Lisboa.

As da rua aqui próxima têm cerca de 3 m de altura e um perímetro à altura do peito de 12/14 cm; ainda têm assim alguns anos para crescer. E a olaia é de crescimento rápido ao princípio, mas um bocado lento depois.

quinta-feira, 14 de Dezembro de 2006

Grevília (Grevillea robusta)


Numa rua transversal e próxima, outra espécie foi utilizada - trata-se agora da Grevillea robusta, conhecida entre nós apenas por grevília. Originária da costa leste australiana é muito utilizada nas regiões sub-tropicais e mediterrânicas como árvore de arruamento.

É uma árvore de crescimento rápido, podendo atingir uma altura de 20/30 m e um diâmetro de 7/10 m, de copa piramidal; é curiosamente uma planta da mesma família do arbusto "protea" (muito cultivado por exemplo na Madeira para produção da conhecida flor de corte).

A folha é perene, muito recortada, verde escuro na página superior e verde-acinzentado na página inferior.

A flor da grevília é também muito interessante, de cor amarelo-alaranjado, em cachos verticais, que surgem em Maio/Junho e tornam esta árvore inconfundível.

Dá-se bem com nos nossos climas mais quentes, já que suporta a falta de água, mas não as geadas, principalmente em jovens.

As que estão plantadas aqui próximo, são árvores já com um perímetro á altura do peito de 16/18 cm e uma altura de 5/6 m e também estão a adaptar-se bem ao sítio. Contudo, nos recentes temporais de princípios de Dezembro de 2006 algumas tombaram e - mesmo tendo sido rapidamente "endireitadas" e reatadas aos tutores - uma ou outra parece ter sofrido bastante com esse incidente metereológico. Vamos ver se todas recuperam bem.

terça-feira, 12 de Dezembro de 2006

Jacarandá (Jacaranda mimosifolia)


Mesmo ao virar da esquina da minha rua, outra espécie de árvore espreita. Agora trata-se do Jacarandá (Jacaranda mimosifolia).

Infelizmente vulnerável à extinção na sua área de origem (Noroeste da Argentina e Bolívia) é contudo uma das árvores ornamentais mais plantadas em todo o mundo. A sua exuberante floração azul-violeta é certamente um dos grandes motivos para tal.

No nosso País é muito utilizado, em especial em Lisboa e noutras cidades mais a Sul, dado que suporta bem a falta de água estival (pior as frias geadas invernais). Mas no Porto e noutras cidades do Norte também há jacarandás lindos!

É uma árvore de crescimento relativamente rápido, em que a folha é composta de 25-30 pares de folíolos, fazendo lembrar uma "mimosa" donde lhe vem emprestado o nome da espécie: "mimosifolia".

Esta folha cai na Primavera e a floração - as tais exuberantes flores tubulares - dá-se depois em Maio/Junho; o fruto é lenhoso e faz lembrar uma castanhola enrugada.

As que plantaram à pouco tempo na rua têm já cerca de 5/6 m de altura e um perimetro do tronco à altura do peito de 14/16 cm. Vamos acompanhar a adaptação, por enquanto estão globalmente bem.

Aguardemos então Maio, na esperança que a rua já venha a ter a cor lilás quando se olhar para o ceú...

domingo, 10 de Dezembro de 2006

Bordo (Acer negundo)



A árvore que me fica mesmo em frente à porta de casa é um Bordo, mais concretamente um Bordo-negundo! Decidi por isso começar por esta espécie neste blogue sobre "árvores da minha rua"...

O nome científico deste bordo é Acer negundo. Curiosamente é uma espécie originária da América do Norte, onde tem uma vasta distribuição autóctone.

É muito utilizado na Europa e em Portugal como espécie ornamental, principalmente como árvore urbana. Cresce rapidamente, atingindo com frequência os 8/10 m de altura e com um diâmetro da copa de 5/6 m. Em adulta, a copa é arredondada, irregular. Resiste relativamente bem à seca e ao frio e pode durar cerca de 80 anos.

A casca é lisa nas árvores novas, ficando fissurada com o crescimento do tronco. As flores masculinas e femininas nascem em árvores diferentes (espécie dióica) e aparecem normalmente em Fevereiro/Março, antes das folhas.

As folhas são caducas - embora já em Dezembro na minha rua (Lisboa) muitas teimam ainda em não cair - e compostas de 3 ou 5 folíolos inseridos no mesmo raminho, terminando sempre com um deles na ponta.

Os frutos são muito curiosos, unidos dois a dois, alados para poderem voar melhor quando o vento sopra e eles estiverem prontos para deixar a árvore mãe e irem á procura da sua oportunidade de se tornarem belas árvores.

Os bordos-negundo da minha rua são ainda muito pequenos; não passam dos 3 m de altura; as menores têm um perímetro do tronco à altura do peito (pap) de cerca de 10/12 cm e as maiores de 16/18 cm; estão portanto ainda a adaptar-se à sua "casa" nova.

Esperemos que tudo lhes corra bem. Para tal, teremos por vezes de lhes dar uma ajuda. Mas isso é assunto para outro dia.